Diário de Londres (10)

Publicado 07/08/2012 por Priante
Categorias: causos, olímpicos

Nada como uma noite bem dormida para aplacar os problemas. Meu décimo dia na Inglaterra teria uma visita ao mítico estádio de Wembley, parada obrigatória para todo amante do futebol. Por sinal, quando comprei esse ingresso era o único disponível para Wembley, a semifinal das mulheres.

Podia ter tido a sorte de ver o Brasil, caso Marta e Cia. tivessem conseguido derrotar as japonesas nas quartas de final, mas como não deu tive que me contentar em ver Japão x França. Pelo menos o lugar seria bom, já que foi o ingresso mais caro que eu comprei.

Antes de sair deu uma checada no ingresso e procurei onde iria sentar, descobri que seria bem ao lado do campo, com aquele pessoal que aparece na transmissão quando a bola esta bem perto da linha lateral. Estava tão perto, que até apareci em uma foto no site de Fifa da comemoração japonesa depois da classificação. Confesso que não devo sentar tão perto do campo novamente, pelo menos não tão cedo.

O jogo esteve longe de ser empolgante, principalmente o primeiro tempo, quando o Japão teve um gol totalmente achado numa baita falha da goleira. Na segunda etapa, depois de tomar o segundo, a França foi para cima e martelou até fazer o primeiro. A pressão continuou e veio um pênalti para as francesas, que foi desperdiçado por sua capitã.

As francas pressionaram o quanto deu, deixaram o Japão totalmente acuado, mas não o suficiente para empatar o jogo, que até ficou interessante nos 15 minutos finais. Embora os brasileiros do meu lado quisessem uma prorrogação e pênaltis, para ficar mais interessante, eu até que agradeci ter acabado no tempo normal, porque tinha que correr para ir para o vôlei.

Mesmo com muitos lugares vagos tinha mais de 60 mil pessoas em Wembley e escoar esse povo não é mole, mesmo aqui onde as coisas são pensadas e organizadas. O fluxo é tamanho que tiveram que bloquear as entradas do metrô para entrar em blocos. Interessante é que as pessoas compreendem a situação e esperam pacientemente, sem empurra-empurra, sem xingamentos ou qualquer atitude revoltosa.

Por conta disso, acabei me atrasando para o vôlei e só cheguei no fim do terceiro e último set do confronto entre EUA x Tunísia (se não me engano), mas com tempo de sobra para ver o Brasil. Fiquei impressionado com o número de brasileiros que tinha naquele ginásio, dava para se sentir em casa.

Tirando o segundo set, que foi apertado e o Brasil só passou à frente na reta final, os outros dois foram relativamente tranquilos, principalmente o último. Nada de muito drama, nem deu para torcer muito, até porque vôlei não me empolga tanto assim. Contudo, a experiência de presenciar o Brasil em uma Olimpíada é algo que vale a pena.

Diário de Londres (9)

Publicado 05/08/2012 por Priante
Categorias: causos, olímpicos

Não dormi muito bem, muito em função da ansiedade de ir pela primeira vez a Wimbledon e de quebra para acompanhar a disputa do bronze em simples, nas duplas femininas e mistas. Ainda podia até rolar uma troca, quem sabe com um sérvio maluco, e eu acabar vendo a final. Seria um dos ápices da minha viagem olímpica a Londres.

Só que tudo ruiu no caminho para Wimbledon. Inexplicavelmente, o ingresso que estava no meu bolso caiu em algum lugar no metrô e só fui perceber quando estava a algumas estações de chegar e vi um cara vestido com a camisa do Federer. Fui checar os bolsos: carteira ok, mapa ok, bilhete do metrô ok, ingresso….gone!!!

Voltei para casa na esperança de ter esquecido lá, mas como eu temia não fora isso. Ainda tentei ligar lá na Tamoyo Turismo, a empresa oficial do COB, mas disseram que não podiam fazer nada. Num último suspiro, passei na estação aqui do lado para perguntar se não tinha um achados e perdidos do metrô, mas novamente nada.

Fiquei totalmente desolado, acho que foi o dia mais melancólico do ano. Confesso que até agora ainda não superei totalmente o baque. Talvez pudesse ter ido lá tentar a sorte ou ver se conseguia ver tudo do Henman Hill (por 10 módicas libras, é claro), mas o desânimo era tanto que acabei mesmo ficando em casa e acompanhei algumas coisas daqui, como o bronze do Scheidt.

E é isso por hoje. Amanhã espero ter melhores notícias.

Diário de Londres (8)

Publicado 04/08/2012 por Priante
Categorias: causos, olímpicos

Hoje vou ser bem sucinto, porque quero descansar bem para amanhã, quando vou para Wimbledon. Tenho ingresso para todas as disputas do bronze, mas quem sabe não consigo uma troca com um argentino ou um sérvio e não vejo a final na central. Se conseguir isso vou ser uma das pessoas mais felizes naquele momento.

Pela manhã, mas uma vez, não tive nada para ver e fiquei em casa acompanhando as provas eliminatórias do atletismo e outras coisinhas mais. Depois de tomar um café da manhã reforçado e já meio perto da hora do almoço, parti para os dois jogos do dia: handebol masculino.

No caminho fiquei sabendo que o oitavo dia de competições seria aquele que distribuiria o maior número de medalhas, por isso foi chamado aqui de “Golden Day”.

Assim como a Arena do Basquete, a Copper Box (onde fui ver o hand) não é enorme e com isso dá para ter uma boa visão da partida mesmo que você sente nas últimas fileiras do ginásio, que por sinal foi o meu caso em ambos os locais.

Os dois jogos começaram equilibrados, mas do decorrer um time acabou dominando. No primeiro deu Suécia para cima da Argentina, de lavada, e no segundo a Croácia jogou muito e ganhou com boa margem da Dinamarca. Bom é que o Thiagão, meu companheiro aqui em Londres, manja tudo do esporte e me ajudava com informações pertinentes sobre o handebol. Praticamente um comentarista particular.

Na saída é que tive o ponto alto do meu dia. Quase no portão do parque olímpico cruzamos com um grupo de atletas (estavam todas uniformizadas dos pés à cabeça) da Espanha, Ucrânia e Rússia, todas muito bonitinhas. As ucranianas foram tão simpáticas que até deram um tchauzinho quando parei para fotografa-las.

Aliás, fiquei tão entusiasmado com a ucranianazinha loura da foto (esta aqui) que fui ver se a encontrava no site de Londres-2012. Até achei uma que parecia bem, embora no 3×4 do site oficial não tenha nada a ver. Se alguém souber quem é agradeceria a informação.

Intruso na foto

Publicado 03/08/2012 por Priante
Categorias: curiosidades, olímpicos

Você vai tirar a foto da paisagem do Parque Olímpico quando sorrateiramente aparece um intruso desses aí no canto. Todos reconhecem que é o sujeito?

Diário de Londres (7)

Publicado 03/08/2012 por Priante
Categorias: causos, olímpicos

Sexta-feira foi um dia bem tranquilo para mim, só uma modalidade para acompanhar e bastante tempo livre pela manhã. Como havia chegado em casa (e digo em casa porque estou em uma casa mesmo, alugada só que casa) quase 1h30 na madrugada anterior, aproveitei para dormir até mais tarde e acompanhar algumas coisas pela internet aqui.

Deu para ver as eliminatórias do judô e o vôlei feminino, que conseguiu sua segunda vitória e se manteve com chances de classificar. Confesso que acompanhar o desempenho brasileiro e os jogos in loco é uma tarefa árdua. No dia anterior, por exemplo, fiquei sabendo que o Brasil perdera por um ponto no basquete, no último lance, indo para a rodada seguinte e ao cruzar com um cara com a camisa do Criciúma.

Com relação ao vôlei feminino, o Thiagão (que está comigo aqui em Londres) tinha ido ver uma das derrotas inesperadas anteriormente e pelo que dissera a coisa tava dura. Deu para notar isso contra as chinesas, pois o time chegou a ter a vitória na mão no quarto set e acabou se enrolando, fechando mesmo só no tiebreak.

Já que não tenho acompanhado não me dou o direito de cornetar a campanha do time, mas uma coisa eu posso dizer. Não dá para ver atleta chorando no meio do jogo. E nem falo isso culpando ninguém por derrota, mas o mínimo que se espera de uma atleta olímpica é um pouco de controle emocional, não dá para ver as chinesas chegando, ir para o banco e chorar. Aí complica!!!

Depois do almoço foi chegou a hora de debutar na esgrima, ver a disputa do bronze e a final masculina, ambas por equipes. Assim como no tiro com arco, teve aquela apresentação básica da modalidade e explicações de como funcionam regras e pontuação. Se bem que tem um monte de marcações que não dá pra entender direito, não fica só em quem acerta o outro primeiro.

O primeiro duelo, entre russos e italianos, foi bem interessante, equilibrado do começo ao fim. Tinha bastante torcida para a Itália, que é bem forte na modalidade, e obviamente seus torcedores eram barulhentos. Eu, que já estava pré-disposto a torcer pela Itália, entrei junto nos gritos da torcida que embalou a virada.

A disputa pela medalha de outro, contudo, foi bem chata. O time da Coreia do Sul dominou o combate do começo ao fim e não deu chance sequer para os Romenos. Foi tão feio que até eu que não entendo de esgrima fiquei indignado, parecia que qualquer um dos que tentaram o bronze complicariam um pouco mais.

No fim, deu para curtir mais uma entrega de medalhas, aprender sobre um esporte novo e conferir outra arena olímpica. Por sinal, o lugar era muito interessante, parecia uma mistura de nave espacial com Gênius, aquele brinquedo da década de 80/90, tal eram as cores luminosas. Também deu para curtir torcer em uma modalidade tão inusitada. A parte ruim do passeio foi saber da derrota do Cielo, se bem que foi até bom não ter visto ao vivo.

Para a história

Publicado 03/08/2012 por Priante
Categorias: olímpicos

Ao comprar o jogo de basquete masculino dos EUA depois de ter saído a tabela, não sabia ainda quem seria o adversário e quando vim que era a Nigéria não fiquei muito animado, afinal seria mais interessante ver um jogo um pouco equilibrado. No fim das contas me dei bem e presenciei o recorde de pontos em uma partida e um verdadeiro totó dos norte-americanos. Pareciam os Globetrotters, só que com menos firula.

Só o fato de ver Kobe, Lebron, Durant e Cia. já valeria a pena, ainda mais depois de um confronto interessante entre espanhóis e britânicos na primeira partida. Desde o começo o time norte-americano esteve frenético e Bryan anotou (acho) 10 dos 12 primeiros pontos. A aula continuou até o fim e o que mais impressionou não foi apenas a pontuação norte-americana, mas a nigeriana.

A surra de 156 pontos anotados pelos Estados Unidos foi incrível, mas do outro lado os nigerianos não foram mal e anotaram 73 pontos, bastante justo para o basquete Fiba, no qual os placares são bem mais modestos dos que os da NBA.

Vale destacar a atuação de gala de Carmelo Anthony. Quem não viu o jogo, ou não acompanhou ele inteirinho, vai ver que o camisa 15 se tornou o maior pontuador de seu país em um único jogo olímpico, com 37, mas provavelmente não sabe que ele chegou a anotar cinco ou seis (a memória me falha nessa hora) cestas de três seguidas. Detalhe, foram seguidas mesmo, uma atrás da outra em ataques consecutivos.

Fora isso, teve o show de enterradas e inúmeras cestas de três. A partida não foi séria, principalmente pela diferença de nível, mas pelo menos os norte-americanos jogaram para atropelar além de tudo. Talvez o jogo em si não tenha sido o melhor que eu já vi (ao vivo é com certeza), mas o espetáculo como um todo foi dos mais interessantes que acompanhei, ainda mais estando dentro do ginásio.

A Espanha é o novo Brasil (e vice-versa)

Publicado 02/08/2012 por Priante
Categorias: cornetagens, olímpicos

Seleção que joga um dos futebóis mais vistosos da atualidade, que ganhou a última Copa do Mundo e também os dois torneios continentais mais recentes, mas que fracassa monumentalmente em uma campanha olímpica com um time que tinha boas chances de medalha. Em outros tempos, esse fora o enredo no qual estava o Brasil.

Mas agora quem se encontra nesta situação é a Espanha. Do outro lado, a seleção brasileira vai acumulando fracassos com o seu time principal, com derrotas nos momentos importantes, mas parece ser um bom time olímpico e vai seguindo em frente na competição, mesmo sem demonstrar o brilho que se esperava.

Só consegui ver o primeiro jogo, ainda em solo nacional, e não tenho como julgar muito o desempenho de Neymar e Cia., mas o fato é que eles têm cumprido o seu papel e seguem avançando.

Na volta de Manchester, onde a Espanha foi definitivamente eliminada, ouvi uma breve conversa de um inglês e um espanhol, que na verdade foi mais uma breve declaração do local ao saber da eliminação dos hispânicos. Ele disse que agora já havia passado o tempo da Espanha e o Brasil é quem estava no ápice agora. Futebol é uma coisa cíclica, completou.

Quem estes ciclos acontecem é quase um fato, mas ainda não sei se dá para cravar isso. O que afirmo, ainda, é que ainda a primazia do futebol de seleções na atualidade pertence à Espanha, enquanto o Brasil pode se contentar em ser um mero campeão olímpico. Se bem que no nosso caso seria o fim de uma escrita.


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