Archive for the ‘causos’ category

Diário de Londres (12)

08/08/2012

Mais uma vez não ia ter o que ver in loco, por isso resolvi terminar o passeio não tão bem sucedido no dia anterior. Como não tenho certeza do que vou fazer na sexta, outro dia livre e meu último inteiramente por aqui, decidi tentar matar o máximo de pontos turísticos possíveis. Tanto que fui até o Google antes para ver se não deixaria nada importante de lado.

Big Ben, o Parlamento e a Abadia de Westminster eram os principais lugares a visitar. Minha pesquisa foi muito importante, pois me lembrou (ou me apresentou) que a Abbey Road era em Londres e seria incluída no trajeto. Curiosamente, eu havia passado lá do lado no dia que fora assistir o tiro com arco e nem sabia.

Outra curiosidade que só fui descobrir lá é que a famosa fotografia da capa do álbum foi tirada do lado de fora dos estúdios Abbey Road em 8 de agosto de 1969. Uma baita coincidência! E claro que eu aproveitei minha passagem por lá para tirar uma daquelas fotos patéticas cruzando a faixa.

Em seguida, peguei o metrô e parti para as margens do Rio Tâmisa, onde iria me deparar com os principais pontos turísticos de Londres, todos eles fotografados à exaustão, de ângulos e mais ângulos, desde o Big Bem até a Tower Bridge, que estava enfeitada com os anéis olímpicos.

Para finalizar, fui passear pela região mais central de Londres, passando por vários lugares como o Museu Britânico, a London’s Global University e a Trafalgar Square. No meio desse caminho dei uma parada na frente de uma loja de TV para acompanhar os minutos finais do jogo de basquete entre Espanha e França, que quase deu briga porque os franceses fizeram duas faltas antidesportivas totalmente sem noção.

Ao chegar em casa, foi conferir os resultados brasileiros do dia e dar uma conferida no que aconteceu no atletismo, principalmente nas semifinais dos 200m, já que vou ver a final amanhã. As moças do vôlei de praia venceram de virada e levaram o bronze e de importante foi só isso até o momento. Já Bolt correu sossegado e se classificou tranquilamente para a final de amanhã.

O pior foi acompanhar o final do basquete entre Brasil e Argentina. Não vi boa parte, mas na reta final nosso time desperdiçou muitas bolas importantes, coisa que não dá para fazer em uma quartas de final de Olimpíadas. Acabamos perdendo mais uma, mas paciência, pelo menos era um time forte do outro lado. Saco foi ser eliminado de novo pelos “hermanos”.

Fechando o dia, deu ao menos para vibrar com Yamaguchi Falcão (que não é o Esquiva, seu irmão) vencendo o cubano campeão mundial. Sucesso esse boxe brasileiro em Londres, com três medalhas já garantidas. Aposto que meu avô deve estar contente com isso.

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A atitude mais honesta da minha vida

07/08/2012

Quem me segue no twitter viu um dia desses que falei ter feito a atitude mais honesta da minha vida, pelo que recapitulo lá no dia 2 de agosto. Bom, agora vou lhes contar essa breve história, que nem é lá grande coisa, mas foi marcante para mim.

O pessoal das Olimpíadas que ajuda os turistas aqui é todo uniformizado e uma das coisas que eu mais queria era uma camisa ou um agasalho roxos que eles usam. No dia em supracitado, estava eu passeando pela Megastore do parque olímpico quando me deparei com uma camisa dessas dando sopa pendurada num canto.

Primeiro dei uma olhada, para ver se ninguém iria aparecer. Em seguida, passei do lado, conferi ao redor e vi que aparentemente ninguém iria reclamar por ela. Não contente, esperei mais um pouco e dei uma volta, certo de que quando voltasse lá o dono teria pegado de volta.

Só que para minha surpresa, a camisa ainda estava lá. Foi então que minha cabeça entrou em parafuso, pois não seria nada difícil dar um gato e levar a camisa embora. Até cheguei a verificar se não havia câmeras de segurança no local.

Nestes minutos, ou talvez segundos, fiquei pensando muito no assunto e no fundo sabia qual seria o desfecho. Precisava entregar a camisa para alguém responsável, mas isso me frustrava desde o momento que me veio à cabeça. O tempo passou e foi isso que fiz, com todo o pesar do mundo, com todo o arrependimento de quem já estava arrependido antes mesmo de executar a ação.

Pelo menos deu para me conformar com o agradecimento do atendente, que elogiou minha honestidade. Coisa que não valeu muito para aplacar a minha frustração. Pior que isso só dois dias depois, quando perdi o ingresso para a disputa do bronze em Wimbledon. Para vocês verem que o mundo é muito injusto.

Diário de Londres (11)

07/08/2012

Dia de folga, fui dar uma de turista em Londres. O objetivo era dar uma volta pela cidade e ver o máximo possível de pontos turísticos, mas no fim das contas aproveitei mais o dia mesmo para fazer boa parte das compras para o pessoal no Brasil. Não tinha como escapar também, ao chegar na Trafalgar Square me deparei logo com uma das maiores lojas de esportes daqui, a Lilly Wites.

São seis andares de tudo que você pode imaginar em relação a artigos esportivos, desde os badulaques olímpicos até golfe, críquete e afins. Claramente o andar que me tomou mais tempo foi o de futebol, procurando por ofertas para ampliar minha coleção de camisas. Fui comedido por hora e levei apenas duas.

Continuei o passeio pelos abarrotados corredores e escadas da loja, que mais parecia uma torre de babel, já que por conta dos Jogos estava infestada de turistas de todos os lugares do mundo, falando as mais diversas línguas. Até mesmo os atendentes pareciam ser diversos, tinham pelo menos duas moças que pareciam ter sotaque russo (além da beleza, é claro) e ouvi mais de uma vez alguém ser atendido em espanhol.

Na sequência ainda tive tempo de dar uma volta pelas cercanias. Além da Trafalgar Square passei pelo Green Park, misteriosamente caí em pelo Palácio de Buckingham (só fui perceber por causa de uma cena de um dos filmes de James Bond, Die Another Day) e depois segui para o Hyde Park. Mais cedo, antes de parar para as compras tinha também passado na famosa Baker Street, onde tirei foto da estátua do Sherlock Holmes.

Depois de colocar em um mesmo parágrafo James Bond e Sherlock Holmes só consigo pensar em uma coisa que já havia me perguntado anteriormente: seriam estes dois os maiores ícones de heróis britânicos da ficção? Particularmente, eu não lembro de mais nenhum.

Diário de Londres (10)

07/08/2012

Nada como uma noite bem dormida para aplacar os problemas. Meu décimo dia na Inglaterra teria uma visita ao mítico estádio de Wembley, parada obrigatória para todo amante do futebol. Por sinal, quando comprei esse ingresso era o único disponível para Wembley, a semifinal das mulheres.

Podia ter tido a sorte de ver o Brasil, caso Marta e Cia. tivessem conseguido derrotar as japonesas nas quartas de final, mas como não deu tive que me contentar em ver Japão x França. Pelo menos o lugar seria bom, já que foi o ingresso mais caro que eu comprei.

Antes de sair deu uma checada no ingresso e procurei onde iria sentar, descobri que seria bem ao lado do campo, com aquele pessoal que aparece na transmissão quando a bola esta bem perto da linha lateral. Estava tão perto, que até apareci em uma foto no site de Fifa da comemoração japonesa depois da classificação. Confesso que não devo sentar tão perto do campo novamente, pelo menos não tão cedo.

O jogo esteve longe de ser empolgante, principalmente o primeiro tempo, quando o Japão teve um gol totalmente achado numa baita falha da goleira. Na segunda etapa, depois de tomar o segundo, a França foi para cima e martelou até fazer o primeiro. A pressão continuou e veio um pênalti para as francesas, que foi desperdiçado por sua capitã.

As francas pressionaram o quanto deu, deixaram o Japão totalmente acuado, mas não o suficiente para empatar o jogo, que até ficou interessante nos 15 minutos finais. Embora os brasileiros do meu lado quisessem uma prorrogação e pênaltis, para ficar mais interessante, eu até que agradeci ter acabado no tempo normal, porque tinha que correr para ir para o vôlei.

Mesmo com muitos lugares vagos tinha mais de 60 mil pessoas em Wembley e escoar esse povo não é mole, mesmo aqui onde as coisas são pensadas e organizadas. O fluxo é tamanho que tiveram que bloquear as entradas do metrô para entrar em blocos. Interessante é que as pessoas compreendem a situação e esperam pacientemente, sem empurra-empurra, sem xingamentos ou qualquer atitude revoltosa.

Por conta disso, acabei me atrasando para o vôlei e só cheguei no fim do terceiro e último set do confronto entre EUA x Tunísia (se não me engano), mas com tempo de sobra para ver o Brasil. Fiquei impressionado com o número de brasileiros que tinha naquele ginásio, dava para se sentir em casa.

Tirando o segundo set, que foi apertado e o Brasil só passou à frente na reta final, os outros dois foram relativamente tranquilos, principalmente o último. Nada de muito drama, nem deu para torcer muito, até porque vôlei não me empolga tanto assim. Contudo, a experiência de presenciar o Brasil em uma Olimpíada é algo que vale a pena.

Diário de Londres (9)

05/08/2012

Não dormi muito bem, muito em função da ansiedade de ir pela primeira vez a Wimbledon e de quebra para acompanhar a disputa do bronze em simples, nas duplas femininas e mistas. Ainda podia até rolar uma troca, quem sabe com um sérvio maluco, e eu acabar vendo a final. Seria um dos ápices da minha viagem olímpica a Londres.

Só que tudo ruiu no caminho para Wimbledon. Inexplicavelmente, o ingresso que estava no meu bolso caiu em algum lugar no metrô e só fui perceber quando estava a algumas estações de chegar e vi um cara vestido com a camisa do Federer. Fui checar os bolsos: carteira ok, mapa ok, bilhete do metrô ok, ingresso….gone!!!

Voltei para casa na esperança de ter esquecido lá, mas como eu temia não fora isso. Ainda tentei ligar lá na Tamoyo Turismo, a empresa oficial do COB, mas disseram que não podiam fazer nada. Num último suspiro, passei na estação aqui do lado para perguntar se não tinha um achados e perdidos do metrô, mas novamente nada.

Fiquei totalmente desolado, acho que foi o dia mais melancólico do ano. Confesso que até agora ainda não superei totalmente o baque. Talvez pudesse ter ido lá tentar a sorte ou ver se conseguia ver tudo do Henman Hill (por 10 módicas libras, é claro), mas o desânimo era tanto que acabei mesmo ficando em casa e acompanhei algumas coisas daqui, como o bronze do Scheidt.

E é isso por hoje. Amanhã espero ter melhores notícias.

Diário de Londres (8)

04/08/2012

Hoje vou ser bem sucinto, porque quero descansar bem para amanhã, quando vou para Wimbledon. Tenho ingresso para todas as disputas do bronze, mas quem sabe não consigo uma troca com um argentino ou um sérvio e não vejo a final na central. Se conseguir isso vou ser uma das pessoas mais felizes naquele momento.

Pela manhã, mas uma vez, não tive nada para ver e fiquei em casa acompanhando as provas eliminatórias do atletismo e outras coisinhas mais. Depois de tomar um café da manhã reforçado e já meio perto da hora do almoço, parti para os dois jogos do dia: handebol masculino.

No caminho fiquei sabendo que o oitavo dia de competições seria aquele que distribuiria o maior número de medalhas, por isso foi chamado aqui de “Golden Day”.

Assim como a Arena do Basquete, a Copper Box (onde fui ver o hand) não é enorme e com isso dá para ter uma boa visão da partida mesmo que você sente nas últimas fileiras do ginásio, que por sinal foi o meu caso em ambos os locais.

Os dois jogos começaram equilibrados, mas do decorrer um time acabou dominando. No primeiro deu Suécia para cima da Argentina, de lavada, e no segundo a Croácia jogou muito e ganhou com boa margem da Dinamarca. Bom é que o Thiagão, meu companheiro aqui em Londres, manja tudo do esporte e me ajudava com informações pertinentes sobre o handebol. Praticamente um comentarista particular.

Na saída é que tive o ponto alto do meu dia. Quase no portão do parque olímpico cruzamos com um grupo de atletas (estavam todas uniformizadas dos pés à cabeça) da Espanha, Ucrânia e Rússia, todas muito bonitinhas. As ucranianas foram tão simpáticas que até deram um tchauzinho quando parei para fotografa-las.

Aliás, fiquei tão entusiasmado com a ucranianazinha loura da foto (esta aqui) que fui ver se a encontrava no site de Londres-2012. Até achei uma que parecia bem, embora no 3×4 do site oficial não tenha nada a ver. Se alguém souber quem é agradeceria a informação.

Diário de Londres (7)

03/08/2012

Sexta-feira foi um dia bem tranquilo para mim, só uma modalidade para acompanhar e bastante tempo livre pela manhã. Como havia chegado em casa (e digo em casa porque estou em uma casa mesmo, alugada só que casa) quase 1h30 na madrugada anterior, aproveitei para dormir até mais tarde e acompanhar algumas coisas pela internet aqui.

Deu para ver as eliminatórias do judô e o vôlei feminino, que conseguiu sua segunda vitória e se manteve com chances de classificar. Confesso que acompanhar o desempenho brasileiro e os jogos in loco é uma tarefa árdua. No dia anterior, por exemplo, fiquei sabendo que o Brasil perdera por um ponto no basquete, no último lance, indo para a rodada seguinte e ao cruzar com um cara com a camisa do Criciúma.

Com relação ao vôlei feminino, o Thiagão (que está comigo aqui em Londres) tinha ido ver uma das derrotas inesperadas anteriormente e pelo que dissera a coisa tava dura. Deu para notar isso contra as chinesas, pois o time chegou a ter a vitória na mão no quarto set e acabou se enrolando, fechando mesmo só no tiebreak.

Já que não tenho acompanhado não me dou o direito de cornetar a campanha do time, mas uma coisa eu posso dizer. Não dá para ver atleta chorando no meio do jogo. E nem falo isso culpando ninguém por derrota, mas o mínimo que se espera de uma atleta olímpica é um pouco de controle emocional, não dá para ver as chinesas chegando, ir para o banco e chorar. Aí complica!!!

Depois do almoço foi chegou a hora de debutar na esgrima, ver a disputa do bronze e a final masculina, ambas por equipes. Assim como no tiro com arco, teve aquela apresentação básica da modalidade e explicações de como funcionam regras e pontuação. Se bem que tem um monte de marcações que não dá pra entender direito, não fica só em quem acerta o outro primeiro.

O primeiro duelo, entre russos e italianos, foi bem interessante, equilibrado do começo ao fim. Tinha bastante torcida para a Itália, que é bem forte na modalidade, e obviamente seus torcedores eram barulhentos. Eu, que já estava pré-disposto a torcer pela Itália, entrei junto nos gritos da torcida que embalou a virada.

A disputa pela medalha de outro, contudo, foi bem chata. O time da Coreia do Sul dominou o combate do começo ao fim e não deu chance sequer para os Romenos. Foi tão feio que até eu que não entendo de esgrima fiquei indignado, parecia que qualquer um dos que tentaram o bronze complicariam um pouco mais.

No fim, deu para curtir mais uma entrega de medalhas, aprender sobre um esporte novo e conferir outra arena olímpica. Por sinal, o lugar era muito interessante, parecia uma mistura de nave espacial com Gênius, aquele brinquedo da década de 80/90, tal eram as cores luminosas. Também deu para curtir torcer em uma modalidade tão inusitada. A parte ruim do passeio foi saber da derrota do Cielo, se bem que foi até bom não ter visto ao vivo.


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